segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O romance de Bordeaux — Parte 8


Foi aí que você o viu. Com toda sua beleza e olhos azuis, saindo do banheiro e vindo em sua direção. Ian. 

Ele estava glorioso, como sempre. A jaqueta de couro na cadeira que ocupava o espaço vago á sua frente era dele. Você ficou chocada. Olhou para Justinne, claramente perdida. Ela fez menção sobre seus óculos, queria que você os tirasse, mas você fingiu que nem viu. Aliás, você não queria tirá-los de jeito nenhum. Ele iria reconhecê-la da noite da festa. E você definitivamente não queria isso. De jeito algum ele poderia saber quem você era. 

Justinne: Ian, essa é minha amiga (seunome). — Justinne falou com seu tom angelical. — (seunome) este é o Ian. — Ela sorriu. Era ótima com apresentações. E você admirava muito isto nela.

Ian: Bom, prazer em conhecê-la, (seunome). — Ele estendeu a mão para cumprimentá-la, com um sorriso. Mas você apenas assentiu com a cabeça na direção dele, ignorando sua mão completamente. Seu chá de morando gelado chegou e você tratou de ocupar-se esvaziando seu copo de um gole. Ian apenas recolheu a mão discretamente, tentando disfarçar o vácuo. 

Justinne não gostou muito da sua reação a ele, e fez uma para careta a você. — Você não acha que seria melhor tirar estes óculos, (seuapelido)? — Ela perguntou, tentando ser o mais educada e delicada possível. Você negou com a cabeça, sendo educada, também. 

Você: Não, obrigada, estou confortável com eles. — Você sorriu para ela, tomando mais um gole do seu chá. Até começou a puxar assunto com sua melhor amiga, mas ela estava ocupada beijando Zac. Era até nojento a interminável necessidade que eles tinham de demostrar afeto em público. 

Você e Ian ficaram se olhando discretamente, o silêncio estava completamente desconfortável, mas você não ligava para isso. Só a presença dele já lhe incomodava. Estava ali única e exclusivamente pela amiga. Não era obrigada a fazer uma social com ele. Porém, parece que ele pensava o contrário, já que constantemente tentava puxar assunto com você, pra quebrar o gelo. 

Ian: Então... — A voz dele era gloriosa, te fazia ter arrepios internos só de trocar olhares com ele por um milésimo de segundo cada vez que ele iniciava uma frase. E você se odiava por isso. — Você também gosta de chá de morango gelado? Esse é o único lugar que encontrei por aqui que vendiam. Temos algo em comum, afinal. — Ele não demonstrava interesse, só estava tentando ser educado. 

Você: Sim, eu gosto — Foi clara e direta. Mas não podia dar a ele a satisfação de achar que compartilhava seus gostos com você. — Não acho que seja um gosto em comum. É apenas uma infeliz coincidência. — Bebeu outro gole do chá. Talvez não devesse ser tão rude. 

Ian, apesar de tudo, sorriu, mas dava pra ver em seus olhos que por essa ele não esperava. — Infeliz? — Ele pigarreou após perguntar, olhando-a com um misto de diversão e ego ferido. O que era preciso para fazê-lo sofrer? Ser fria não parecia adiantar. Jogar navalhas, quem sabe. Você não poderia desperdiçar o plano. 

Você: Sim, afinal, como você mencionou, este é o único lugar onde vendem chá gelado de morango. Aparentemente eu era uma das poucas freguesas que o comprava. Com você aqui, a demanda ficará maior, se suas fãs descobrirem o preço pode subir, e a escassez poderá aumentar. Nunca mais será o mesmo. — Falou com ar inteligente, sem olhá-lo nos olhos. 

O garçom veio para fazer os pedidos, e ao invés de pedir uma grande porção como o resto do grupo, optou por pedir apenas uma porção de batatas-fritas. Pretendia ir embora logo. Não sabia quanto tempo iria conseguir evitar Ian e seus olhos maravilhosamente azuis antes que sua boca lhe traísse, entregando as boas lembranças (ou quase isso) que tivera com ele (por poucos minutos antes que ele se tornasse o-pior-babaca-da-cidade). Só esta lembrança foi suficiente pra fazer seu sangue ferver. 

Ian: Desculpe, mas você me parece familiar. — Ele falou, depois de dar boas risadas de sua resposta, ao que você apenas respondeu com um breve sorriso no canto dos lábios, antes de fechar a cara pra ele novamente. Bancar a difícil era divertido, no final das contas. — Acho que já nos vimos antes. 

Você: NÃO! — Você falou um pouco mais rápido e urgente do que deveria. Arregalou os olhos e tapou a boca com uma das mãos. — Quero dizer, não, não nos vimos antes. Eu nunca te vi. Acho que uma vez quem sabe por aí, sabe o que dizem né? É uma cidade pequena. — Você REALMENTE precisava calar a boca. Ele pareceu um pouco confuso mas deu de ombros. Provavelmente achava que você era uma louca, agora. Estava demorando para que sua boca a traísse. 

Então, quando você olhou envolta para disfarçar, lá estava ela, com toda sua glória. 

                           

Michelle. Gloriosa. Chiquérrima, com as roupas sempre estravagantes. Ela sentou-se a mesa e não se deu nem ao trabalho de olhá-la. Começou a trocar ideias com Justinne, as duas conversando animadamente enquanto Ian enchia-a de elogios. Você não conseguia acreditar nisso. Sua melhor amiga. Você nunca se sentiu tão solitária. 

Você: Se vocês me dão licença — Não que algum deles tenha ligado para o fato de que você estava saindo da mesa. Você se dirigiu ao banheiro, não sabia o que fazer, mas tinha um plano. E agora?


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