domingo, 12 de janeiro de 2014

O romance de Bordeaux — Parte 9


Você se dirigiu ao banheiro, não sabia o que fazer, mas tinha um plano. E agora?

Colocou as duas mãos na pia, uma de cada lado, e se inclinou para frente, abaixando a cabeça. Estava enjoada, era isso? Parecia ser enjoo. Você não sabia dizer ao certo, mas seu estômago parecia revirar. Sua melhor amiga e sua inimiga, amigas, conversando. Ela tinha te deixado de lado! 

Sem contar que o cara que você gostava era um completo idiota e você se sentia um lixo por gostar dele. Se sentia horrível por ter sido tão grossa quando ele só estava tentando ser educado. É, você já o tinha perdoado. Porque você era assim. Você perdoava a pessoa, sem ela nem mesmo ter pedido seu perdão. Seu coração sempre foi de manteiga e você se odiava por isso. 

Ficar ali a estava sufocando, aquela onda de sensações estava fazendo sua cabeça girar, e tudo o que você queria fazer era sair correndo. Já estava lá há quanto tempo? Cinco minutos? Iam achar que você estava com problemas intestinais. Ah, quem liga pro que eles pensam? Você. Agh. Ânsia de vômito lhe atingiu de novo. 

Pela primeira vez desde que entrou no banheiro, você olhou para o próprio reflexo no espelho. Estava pálida como quem tinha visto um fantasma. Seus olhos estavam vermelhos, e você estava descabelada. Já tinha guardado os óculos na bolsa. Jogou água no rosto. Nada. Continuava se sentindo mal. Não podia voltar pra mesa daquele jeito! Não podia deixá-los verem seu lado vulnerável, ver o que eles fizeram com você. 

Respirou fundo. Estava sozinha, ao final de contas. Não tinha mais ninguém. Sua mãe raramente estava em casa, seu pai já as tinha deixado há muito tempo. Era só você, e você mesma. Atrás de si, pelo espelho, conseguiu ver uma janela. Foi aí que você teve uma ideia. Será que você passaria pela janela? Era tão estreita. 

Você se espremeu entre o vão. Primeiro as pernas, depois o tronco, e finalmente a cabeça. Mal conseguiu tocar o chão com a ponta dos pés, e então, soltou a janela, caindo de bunda no chão. Se levantou imediatamente, colocando a alça da bolsa sobre os ombros, disfarçando. 



Olhou envolta, enquanto um funcionário da cozinha te olhava, julgando-a e rindo. Não conseguia acreditar que você pulou uma janela de banheiro só pra fugir dos seus amigos! E aquele homem tinha visto você levar o pior tombo da história dos tombos. Mas não era nenhuma novidade pra você ser desastrada. 

  

Mas você e ele sabiam que não tinha sido de propósito. Você saiu dali rapidamente, mas infelizmente teria que passar pela frente do restaurante para pegar seu carro e ir para casa. Então quando passou na frente da porta de vidro, lançou um olhar sorrateiro para a mesa e literalmente saiu correndo. Ninguém ali tinha a visto, aliás, você duvidava que eles conseguissem ver qualquer coisa além deles mesmos. 


E então você foi pra casa. Tinha muito o que fazer. Mentira você não tinha nada. Estava na hora de começar a fazer novos amigos. Você tomou um banho, secou o cabelo, fez as unhas, arrumou seu quarto, arrumou seu armário (que por acaso estava uma zona!) e se jogou na cama para assistir Gossip Girl. E pegou no sono. Algumas horas depois acorda com um número desconhecido te ligando... 


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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O romance de Bordeaux — Parte 8


Foi aí que você o viu. Com toda sua beleza e olhos azuis, saindo do banheiro e vindo em sua direção. Ian. 

Ele estava glorioso, como sempre. A jaqueta de couro na cadeira que ocupava o espaço vago á sua frente era dele. Você ficou chocada. Olhou para Justinne, claramente perdida. Ela fez menção sobre seus óculos, queria que você os tirasse, mas você fingiu que nem viu. Aliás, você não queria tirá-los de jeito nenhum. Ele iria reconhecê-la da noite da festa. E você definitivamente não queria isso. De jeito algum ele poderia saber quem você era. 

Justinne: Ian, essa é minha amiga (seunome). — Justinne falou com seu tom angelical. — (seunome) este é o Ian. — Ela sorriu. Era ótima com apresentações. E você admirava muito isto nela.

Ian: Bom, prazer em conhecê-la, (seunome). — Ele estendeu a mão para cumprimentá-la, com um sorriso. Mas você apenas assentiu com a cabeça na direção dele, ignorando sua mão completamente. Seu chá de morando gelado chegou e você tratou de ocupar-se esvaziando seu copo de um gole. Ian apenas recolheu a mão discretamente, tentando disfarçar o vácuo. 

Justinne não gostou muito da sua reação a ele, e fez uma para careta a você. — Você não acha que seria melhor tirar estes óculos, (seuapelido)? — Ela perguntou, tentando ser o mais educada e delicada possível. Você negou com a cabeça, sendo educada, também. 

Você: Não, obrigada, estou confortável com eles. — Você sorriu para ela, tomando mais um gole do seu chá. Até começou a puxar assunto com sua melhor amiga, mas ela estava ocupada beijando Zac. Era até nojento a interminável necessidade que eles tinham de demostrar afeto em público. 

Você e Ian ficaram se olhando discretamente, o silêncio estava completamente desconfortável, mas você não ligava para isso. Só a presença dele já lhe incomodava. Estava ali única e exclusivamente pela amiga. Não era obrigada a fazer uma social com ele. Porém, parece que ele pensava o contrário, já que constantemente tentava puxar assunto com você, pra quebrar o gelo. 

Ian: Então... — A voz dele era gloriosa, te fazia ter arrepios internos só de trocar olhares com ele por um milésimo de segundo cada vez que ele iniciava uma frase. E você se odiava por isso. — Você também gosta de chá de morango gelado? Esse é o único lugar que encontrei por aqui que vendiam. Temos algo em comum, afinal. — Ele não demonstrava interesse, só estava tentando ser educado. 

Você: Sim, eu gosto — Foi clara e direta. Mas não podia dar a ele a satisfação de achar que compartilhava seus gostos com você. — Não acho que seja um gosto em comum. É apenas uma infeliz coincidência. — Bebeu outro gole do chá. Talvez não devesse ser tão rude. 

Ian, apesar de tudo, sorriu, mas dava pra ver em seus olhos que por essa ele não esperava. — Infeliz? — Ele pigarreou após perguntar, olhando-a com um misto de diversão e ego ferido. O que era preciso para fazê-lo sofrer? Ser fria não parecia adiantar. Jogar navalhas, quem sabe. Você não poderia desperdiçar o plano. 

Você: Sim, afinal, como você mencionou, este é o único lugar onde vendem chá gelado de morango. Aparentemente eu era uma das poucas freguesas que o comprava. Com você aqui, a demanda ficará maior, se suas fãs descobrirem o preço pode subir, e a escassez poderá aumentar. Nunca mais será o mesmo. — Falou com ar inteligente, sem olhá-lo nos olhos. 

O garçom veio para fazer os pedidos, e ao invés de pedir uma grande porção como o resto do grupo, optou por pedir apenas uma porção de batatas-fritas. Pretendia ir embora logo. Não sabia quanto tempo iria conseguir evitar Ian e seus olhos maravilhosamente azuis antes que sua boca lhe traísse, entregando as boas lembranças (ou quase isso) que tivera com ele (por poucos minutos antes que ele se tornasse o-pior-babaca-da-cidade). Só esta lembrança foi suficiente pra fazer seu sangue ferver. 

Ian: Desculpe, mas você me parece familiar. — Ele falou, depois de dar boas risadas de sua resposta, ao que você apenas respondeu com um breve sorriso no canto dos lábios, antes de fechar a cara pra ele novamente. Bancar a difícil era divertido, no final das contas. — Acho que já nos vimos antes. 

Você: NÃO! — Você falou um pouco mais rápido e urgente do que deveria. Arregalou os olhos e tapou a boca com uma das mãos. — Quero dizer, não, não nos vimos antes. Eu nunca te vi. Acho que uma vez quem sabe por aí, sabe o que dizem né? É uma cidade pequena. — Você REALMENTE precisava calar a boca. Ele pareceu um pouco confuso mas deu de ombros. Provavelmente achava que você era uma louca, agora. Estava demorando para que sua boca a traísse. 

Então, quando você olhou envolta para disfarçar, lá estava ela, com toda sua glória. 

                           

Michelle. Gloriosa. Chiquérrima, com as roupas sempre estravagantes. Ela sentou-se a mesa e não se deu nem ao trabalho de olhá-la. Começou a trocar ideias com Justinne, as duas conversando animadamente enquanto Ian enchia-a de elogios. Você não conseguia acreditar nisso. Sua melhor amiga. Você nunca se sentiu tão solitária. 

Você: Se vocês me dão licença — Não que algum deles tenha ligado para o fato de que você estava saindo da mesa. Você se dirigiu ao banheiro, não sabia o que fazer, mas tinha um plano. E agora?


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O romance de Bordeaux — Parte 7



Chegando lá, se deparou com uma cena inesperada. Justinne estava sentada na mesa, sim. Uma mesa com seis lugares. Estava maravilhosamente arrumada. 

[Sem os óculos gente, lembrando que só você está de óculos na situação]


Como de costume. O que era tão surpreendente naquilo tudo, era que ao seu lado, havia alguém sentado. Alguém que não deveria estar ali. Uma pessoa indesejada e não mencionada em nenhum momento nas ligações. Você até se sentiu mal por não estar tão arrumada quanto ela. Assim que seus olhares se cruzam, ela se levanta rapidamente, enquanto você vira as costas pra ela. Estava com raiva por ela ter mentido pra você, tudo o que queria fazer era ir embora. Mas ela segurou seu braço, e te virou de frente pra ela. Não queria te deixar ir embora. 

Justinne: (seuapelido) por favor não vai! — Ela pediu delicadamente. — Eu não te falei porque... Ah eu não queria ficar sozinha. Se eu te falasse que ele viria, eu sei que cê não ia vir! E você tem que ver o quão legal ele é. Vai mudar sua perspectiva de que é um dos garotos arrogantes, como você diz. 

Você: Jus, me larga! Você mentiu pra mim, por que fez isso? — Olhou-a nos olhos, com raiva, puxando seu braço da mão dela. 

Justinne: Você não vai me deixar sozinha aqui, vai? Por favor amiga, por favor. Não me faz passar um vexame desses. Por favor, por favorzinho... — Era difícil resistir quando ela fala com esse tom suplicante e infantil. Muito difícil. Você não conseguia negar nada pra ela, e o pior era que ela sabia disso. Cedendo, você voltou com ela para a mesa, abrindo um sorriso sem-graça. Ela sentou-se de frente para Zac, e você se sentou ao lado dela. Deixando dois espaços vazios a sua frente e um ao seu lado. Afinal, pra quê uma mesa tão grande? 

Justinne: Então... Zac essa é a (seunome). Ela é minha amiga de infância. — Falou orgulhosa, apresentando-a. — (seunome) esse é o Zac, meu... — Fez uma pausa, olhando para ele com malícia. Juro que você teve vontade de vomitar naquele milésimo de segundo. — Meu amigo. Com benefícios. 

Ele sorriu para você e os dois sorriram um para o outro enquanto você sorriu de volta para ele, dando-lhe um aceno de cabeça como cumprimento. O garçom veio com as bebidas previamente pedidas, e então aproveitou para fazer seu pedido. 

Garçom: O que deseja, moça? — Ele lhe perguntou. Você respondeu rápido "chá gelado de morango", sem olhá-lo. Era seu favorito, que chegava ser automático, e estava um pouco nervosa. Quando percebeu a indelicadeza, olhou para ele e fingiu um sorriso. O homem de branco saiu para buscar seu chá, enquanto outro garçom servia as bebidas pedidos por Justinne e Zac. 

Você olhava enquanto os copos iam sendo dispostos pela mesa. Um suco de maracujá para Jus, um copo d'água com limão e gelo para Zac, e bem no lugar a sua frente, colocou um copo com chá gelado de morango. Ficou até surpresa, será que Justinne tinha pedido pra você antes? Até ia avisar o garçom que tinha colocado a bebida no lugar errado, quando de repente, você se deu conta de que ele não tinha colocado em lugar errado coisa nenhuma. Havia uma jaqueta de couro pendurada na cadeira á sua frente. A coisa toda da mesa grande fez sentido. 

Foi aí que você o viu. Com toda sua beleza e olhos azuis, saindo do banheiro e vindo em sua direção. Ian. 


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